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Balneário Camboriu, SC, Brazil
Seu servo, resenhista crítico e cronista efusivo... Escritor, poeta e profeta que procura analisar a sintese humana sobre a óptica dos ratos no lixo.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Blues House

Lá estava eu
A olhar rostos fartos em minha memória,
Reconhecíveis também;
Mas tão estranhos para mim, quanto foram ontem,
E hoje...
Almas, deformáveis as, que conhecera.
E TODAS PROCURAVAM ATENÇÃO...
Lá estava eu, fitando.
Duas almas que atraiam,
Via-as a me cravar os olhos,
Sensuais, provocantes;
Mas sabia por que estavam ali,
A me fitar,
Eram as bebidas que as atraiam,
As bebidas e o dinheiro,
E meu sangue se tornara pó.
Via-as com nojo,
Nojo e rancor;
E nos olhos
Via-as carregar minha vida
Para longe, num adeus surrupiado,
Como os centavos que não dei...
E TODAS PROCURAVAM ATENÇÃO;
Minha, dele;
Sim, dele!
Do inalmado em minha carteira,
Dos trocados no meu bolso.
Do pouco pó de cocaína sangrando de mim
Donde o sol já fugira
E a garrafa de blues secara tomando a vaidade deste corpo;
Sim, não tirava aqueles olhares de minha memória,
Os cabelos louros e negros e as bocas,
As bocas...
Sim, reconhecíveis também,
Pois acabaram por me roubar.
Roubar a mente
A alma,
E os olhos quais afagam minha carteira
Agora me tem.
Lá estava eu,
E agora não estava mais, cortara os olhares,
Beijara a gaita,
Bebera o blues e queimara o dinheiro...
Lá estava eu, chorando.
E os rostos fartos tomaram a vaidade de mim...

(Finalizada em 20.2.2006 às 21h09min).

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